Cidadania digital: estamos preparando a próxima geração para ser usuária ética da Internet e da IA?

Aprender a usar as redes de forma responsável e compreender a pegada digital são habilidades essenciais que famílias e escolas precisam transmitir aos jovens.
Quando uma criança tem o primeiro contato com um tablet ou smartphone, abre-se um universo repleto de oportunidades, mas também de riscos. Na era das redes sociais, da informação instantânea e da Inteligência Artificial (IA), cada clique, comentário ou imagem compartilhada tem consequências que vão muito além da tela.
O acesso à internet expõe crianças e adolescentes a conteúdos inadequados, interação com desconhecidos, informações não verificadas e pressão social nas redes. O grande desafio é: como garantir que eles compreendam as implicações de suas ações digitais e exerçam uma cidadania responsável no ambiente online?
O que é cidadania digital
De acordo com o portal Argentina.gob.ar, cidadania digital refere-se ao conjunto de direitos e responsabilidades que temos no ambiente online. A internet é um espaço público, onde há oportunidades para o exercício de direitos, mas também riscos de violações.
Para o promotor argentino especializado em cibersegurança, Lucas Moyano, cidadania digital é muito mais do que saber usar um smartphone: “Implica compreender as consequências de cada clique, cada comentário e cada imagem compartilhada em um universo onde o digital e o real estão intrinsecamente conectados.”
Ele destaca que a empatia online precisa ser ensinada: “Atrás de cada avatar ou nome de usuário existe uma pessoa com sentimentos. Comentários ofensivos ou zombarias em redes sociais podem ter impacto devastador na autoestima, como nos casos de cyberbullying. Educar para o respeito às diferenças e para a proteção da informação pessoal é tão importante quanto ensinar a dizer ‘não’ a tendências nocivas.”
O desafio do uso ético da Inteligência Artificial
A chegada da IA generativa abriu uma nova fase no debate sobre responsabilidade digital. Hoje, qualquer pessoa tem acesso a ferramentas capazes de criar imagens, textos e vídeos em segundos.
Isso traz um enorme potencial criativo, mas também riscos de abuso. Já foram registrados casos de uso da IA para gerar deep nudes (imagens falsas com rostos reais) e produzir conteúdo de assédio e manipulação.
Para Moyano, o uso ético da IA deve ser parte central da formação digital dos jovens, para que aprendam a criar e inovar sem violar a intimidade ou a reputação de outras pessoas.
Crianças como embaixadores digitais no lar
A educação para a cidadania digital não transforma apenas a vida dos menores, mas também pode ter efeito multiplicador dentro das famílias.
Assim como lembram os pais de apagar a luz ou separar o lixo, crianças e adolescentes também podem se tornar promotores do bom uso da tecnologia. Exemplos:
Um menino que entende por que não se deve compartilhar fotos sem autorização pode questionar um adulto antes de postar uma imagem.
Uma adolescente consciente dos riscos da exposição excessiva pode iniciar um debate familiar sobre privacidade.
Irmãos que aprendem boas práticas na escola podem transformá-las em hábitos do dia a dia.
Esse processo torna a educação digital um diálogo intergeracional, em que os mais jovens não são apenas receptores, mas também agentes de mudança.
O papel dos adultos e a importância do exemplo
Segundo Moyano, o comportamento dos adultos também é determinante. O uso irrefletido das redes, a exposição exagerada da vida pessoal e a falta de cuidado com a privacidade de terceiros são problemas recorrentes.
Uma foto publicada sem consentimento, um vídeo íntimo compartilhado ou um comentário maldoso podem gerar consequências legais, profissionais e pessoais de grande impacto. A chamada pegada digital — rastros deixados por nossas ações na internet — é permanente e pode afetar a vida real.
Conclusão
A educação para a cidadania digital responsável deve ser prioridade em escolas e lares. É preciso formar uma nova geração que use a tecnologia não apenas com habilidade, mas também com ética, empatia e respeito. Só assim será possível construir um espaço digital mais seguro e construtivo para todos.
Fonte: Artigo publicado no Portal de Notícias TN, Buenos Aires, Argentina. Traducão ao Português pela EStrategia Design.

